LAVRAS DIAMANTINAS: PARAÍSO NATURAL EM TERRAS DA BAHIA

Os primeiros garimpos, instalados na Chapada Diamantina, datam de 1844, ocasião em que foram descobertos valiosos diamantes nos veios do Riacho Mucugê, despertando grande interesse por parte de garimpeiros, compradores e capangueiros. 

garimpo estrela do ceuClique p ampliar garimpeiro

Estes aventureiros se deslocaram da Velha Minas Gerais - naquela época em franca decadência - e de outros centros de mineração de ouro e diamante, situados em Jacobina, Rio de Contas e Chapada Velha, para se misturarem aos garimpos já existentes na região.

Anos mais tarde, os garimpos já mecanizados e não mais manual (garimpo de serra), foram fechados pelo Ibama, CRA, DNPM e o MMA em 1996. numa ação conjunta. 
Desde então, a atividade ecoturística nas Lavras Diamantinas vem ressurgindo gradativamente, utilizando as velhas trilhas de garimpeiros.
Estes caminhos levam sempre ao destino das mais belas cachoeiras, poços, praias fluviais, grutas, sítios históricos e inúmeros geossítios que guardam, desde tempos imemoriais, informações preciosas sobre a história geológica da Chapada.

CHAPADA DIAMANTINA - No Coração da Serra do Sincorá

A Chapada Diamantina, dentre outras serras, constitue uma subdivisão do grande Maciço do Espinhaço (Serra do Espinhaço), que se estende desde Belo Horizonte até o norte do Estado da Bahia.
Com altitudes que variam entre 800m a 1.700m, a Chapada Diamantina está situada na porção central do Estado da Bahia. A Serra dos Três Morros, da formação Tombador (29), no Município de Piatã,  apresenta-se como divisora de águas de três importantes bacias hidrográficas: a bacia do Rio de Contas, do Rio Paraguaçu e de alguns afluentes do Rio São Francisco, que estendem seus cursos d'água até o litoral.

Cachoeira do BuracaoCachoeira do Buracão

Os principais caminhos da Chapada Diamantina estão traçados no mapa Roteiros Ecoturísticos da Chapada Diamantina”, 6ª edição, onde ilustramos, com riqueza de detalhes, os pontos de interesse do visitante, as opções de roteiros e as diversas práticas do ecoturismo (1).

Digitalizamos a malha fluvial do Parque Nacional e seus arredores, procurando reproduzir com fidedignidade os mais de 35 rios existentes - com destaque para o rio Paraguaçu e o Rio Preto - além de inúmeros córregos, riachos e nascentes de pura água cristalina.

Registramos e mapeamos mais de 420 quilômetros de trilhas, caminhos e estradas, em locais por vezes ainda selvagens, a exemplo da Foz do Rio Roncador, do Rio Garapa e da Cachoeira da Sibéria.

Diversas opções em trilhas levam o amante da aventura ao encontro de, pelo menos, 25 imponentes cachoeiras, com destaque para a Cachoeira da Fumaça, formando um grande espetáculo da natureza - em queda livre de 340 metros - além de pequenas outras cachoeiras, regatos e escorregadeiras naturais, como a do Ribeirão do Meio e Mucugezinho, em Lençóis.

Citamos, ainda, mais de 22 picos e montanhas, geossítios(30), que guardam em si uma história e uma monumental beleza - testemunho vivo esculpido pelo tempo -, remanescentes de períodos geológicos atribuidos ao Proterozóico Médio (entre 1,7 e 1 bilhão de anos), como é o caso do Morro do Pai Inácio, do Morro do Camelo e do Morrão (também conhecido como Monte Tabor), além de tantos outros.

Morro do CameloMorro do Camelo

E não pára por aí... os encantos continuam, com poços e piscinas naturais, ao longo dos rios, "canyons"(2), campos gerais com sempre-viva e pinturas rupestres – estas atribuídas aos grupos indígenas Jê -  que datam entre 1, 5 e 8 mil anos e, também, aos grupos Tukanos - os mais antigos –, registros estes que alcançariam mais de 30 mil anos, segundo a arqueóloga Maria Beltrão.

Sobressaem-se, ainda, praias fluviais, areias coloridas, vales verdejantes, matas ciliares(3), capões de mata(4), campos rupestres(5) e banhados(6), redutos de animais silvestres como capivaras, macacos, garças, onças-pintadas, suçuaranas, tamanduás, veados-mateiros, mocós, porcos-do-mato, tatus, além de muitos pássaros que compõem a extensa e variada fauna desse paraíso ecológico.
Merece destaque o alagadiço do Marimbus, habitat de peixes, sucuris e jacarés.

Formadas desde tempos geológicos muito remotos, a Chapada Diamantina tem, já cadastradas e mapeadas, mais de 130 grutas – localizadas apenas nos municípios de Iraquara, Palmeiras e Seabra. Essas misteriosas cavernas, que necessitam, ainda, ser devidamente estudadas pela ciência são banhadas por águas translúcidas e por efeitos de raios e cores de espectros múltiplos, destacando-se entre estas as Grutas da Lapa Doce, Pratinha, Poço Encantado e Gruta Azul, as mais conhecidas e visitadas da região.

Cachoeira da Fumacinha
Cachoeira da Fumacinha

(29) Formação Tombador – formações antiquíssimas (1,7 bilhões de anos)  de rochas quartizíticas, originárias do remoto Rio Tombador. Estas rochas formaram-se em depressões com o acúmulo de sedimentos (carbonato, lama, areia, seixos) que foram sendo, progressivamente, depositados com o  passar do tempo, devido à ação de ventos, rios, mares, geleiras e organismos vivos que interagiam, juntamente, com atividades vulcânicas.

(30) Geossítios - monumentos naturais que guardam informações, escrito nas rochas e no relevo, sobre a história geológica da Chapada Diamantina.

(1) Ecoturismo é uma forma de turismo voltada para a apreciação de ecossistemas em seu estado natural, com sua vida selvagem e sua população nativa intactos.

(2) Canyon - vales profundos com desníveis de até 400 metros (na Chapada).

(3) Mata ciliar - também denominada “mata de galeria” ou “mata de riparia”. Extensão de floresta que surge ao longo de cursos d'água, sempre permeando a vegetação campestre.

(4) Capão - porção de mato isolado no meio de um campo.

(5) Campo rupestre - local com altitude, em torno de 1000 metros, onde as plantas apresentam, quase sempre, pequeno porte, cores vivas e variadas e adaptações para viver sobre rochas e areia.

(6) Banhados - termo usado no Sul do Brasil, para denominar extensões de terras baixas inundadas pelos rios.