FAUNA, FLORA
E ECOSSISTEMAS DA REGIÃO 

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Na Chapada e, particularmente, na área que compreende o Parque Nacional, evidenciam-se distintos ecossistemas: a Caatinga, o Cerrado, as Florestas - Estacional de Planície, e Sempre-verde de Altitude - os Campos Rupestres, e, ainda o Marimbus (30) também conhecido como Pantanal da Chapada - ambiente singular, de surpreendente beleza, que serve de abrigo, de alimentação e de reprodução para inúmeras espécies - de peixes, sucuris, jibóias, jacarés, marrecos, patos, garças e socós - além de se constituir num extenso revestimento florístico de diferentes comunidades vegetais.

 Fauna

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Devido à variação de relevos e à sua posição geográfica - zona tropical -, a Chapada Diamantina apresenta uma grande variedade de ecossistemas - biodiversidade - onde a ocorrência da fauna é bastante rica.

A avifauna representa o grupo zoológico de maior diversidade, totalizando mais de 300 espécies conhecidas, sendo este o elemento mais fácil de ser observado na região.
Destacam-se neste grupo: o beija-flor gravatinha-vermelha (Augastes lumachaellus) e o beija-flor marron de orelha azul (Colibri delphimae greenewalti) – estas, espécies endêmicas (31) da Chapada.
Podem ser vistos também, embora com certa dificuldade, o exuberante gavião-pé-de-serra (Geranoetus melanoleucus) e o gavião cinza (Harpyaliaetus coronatus) - ambos ameaçados de extinção.

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Dentre as espécies vistas com maior freqüência, em quase toda a região da Chapada, podemos citar: o papagaio verdadeiro (Amazona aestiva), o Pica-pau-anão (Picumnus pygmaeus), o cancão (Cyanocorax cyanopogon) a ararinha verde (Brotogeris tirica), o periquito-vaqueiro (Aratinga cactorum) o cardeal (Paroaria dominicana), dentre outros.

keyEm apenas um dia de caminhada, o atento observador poderá identificar, facilmente, 40 espécies de pássaros, dos mais variados. 
Para usufruir, ao máximo, esta experiência, recomendaríamos ao caminhante: leitura especializada, acordar pela manhã, bem cedo; usar roupas discretas e binóculo, evitando, sobretudo, movimentos bruscos e barulhos desnecessários.

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O grupo dos mamíferos é extremamente rico e variado, porém de difícil observação, apesar de existirem naquela área mais de 50 espécies.
Dessas espécies destacam-se, como sendo as mais raras: a onça-pintada (Panthera onca), a suçuarana (Puma concolor), a jaguatirica (Leopardo pardalis), o gato-do-mato (Leopardo s.p), o veado-catingueiro (Mazana gouazowira), o macaco-guariba (Alouatta fusca.), o macaco-prego-de-peito-amarelo (Cebus apella xanthosternos ) e o tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla), todos estes ameaçados de extinção, incluindo-se, também, o porco selvagem ou queixada (Tajacu albirostris).

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A mesma sorte não tiveram o tamanduá-bandeira (Myrmercophaga tridactyla), o tatu-canastra (Priodontes maximus) e a anta (Tapirus terrestris), impiedosamente extintos na região, pela caça predatória. 
Por sua vez, o mocó (Kerodon s.p) pode ser visto com maior freqüência e até fotografado, usando-se, para isso, de muita cautela e silêncio, quando próximo a tocas de pedra sob formações de grandes rochas. 
Já a paca (Aguti paca) e a capivara (Hydrochoerus hydrocaeris) são roedores de difícil observação, podendo ser vistos próximos aos baixios e banhados.

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A herptofauna, que inclui o estudo dos répteis e anfíbios, apresenta-se como um dos grupos mais extensos da Chapada, sendo comum observar, ao longo das trilhas, teiús e calangos, iguanas, cobras-cipó e dormideiras, jararacas - de pequeno e médio porte - sapos e outros animais. 
Entretanto, o jacaré, ou jacaretinga (Paleossuchus sp.), assim como outras variedades deste grupo, estão na lista de animais em fase de extinção.

A região do Parque Nacional da Chapada Diamantina-PARNA, inserida no circuito do diamante, foi, no passado, muito transitada por garimpeiros e nativos, o que ocorre, atualmente, em menor número.

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Com o crescimento do turismo ecológico naquela região e a conseqüente expansão de vilas e cidades próximas, a fauna, que já era difícil de ser observada, retraiu-se em áreas quase sempre inacessíveis, como os baixios das serras, vales profundos, grotões, matas ciliares e outros esconderijos, redutos preferidos de gatos selvagens, raposas, cachorros-do-mato e quatis. 

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Com a presença humana, os animais assustam-se facilmente, fugindo à menor aproximação, sendo, por isso, necessária uma certa experiência para observá-los melhor. 
Não se incluem, neste caso, algumas outras espécies de borboletas, abelhas, pássaros, sagüis, serpentes e lagartos, bastante abundantes na região.

Não nos esqueçamos, entretanto, que, na natureza, seremos, sempre, mais observados do que observadores...

" Salvar a vida de um animal é extremamente virtuoso e, quando o mérito é dedicado, criam-se grandes benefícios, não só para aquele animal, mas para todos os seres. A generosidade, por mais insignificante que pareça ser - mesmo dar um pouco de água ou comida a um pássaro com fome - cria grande virtude".
Chagdud Tulku Rinpoche 


Flora

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Na Chapada Diamantina, o visitante poderá encontrar uma grande variedade de espécies vegetais. 
Jardins naturais, vales verdejantes, matas ciliares, Capões-de-Mata e Campos Rupestres se sobressaem aos olhos do observador, numa composição florística de rara beleza e exuberância.

Do sopé das serras, encobertas por neblina, ou do cume das montanhas, quando a umidade se condensa em gotículas, formam-se nascentes de água cristalina que correm dos campos rupestres aos vales, num extenso mosaico de ecossistemas, predominando, na região, a vegetação da caatinga.

 Ecossistemas

CAATINGA

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Termo indígena que designa “mata branca”, a Caatinga - típica da região Nordeste do Brasil - corre um sério risco de transformar-se num deserto, devido à escassa incidência de chuvas.
Ainda que o solo, na maioria das vezes, se apresente aparentemente árido, é suficiente um mínimo de umidade para que a paisagem exploda em verde e viçosidade, mostrando, com isso, que este solo é razoavelmente fértil, e a sua vegetação rica em recursos genéticos, dada a sua biodiversidade.

Na Caatinga, existem verdadeiros oásis onde é possível se produzir quase todos os alimentos peculiares aos trópicos.

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Esse ecossistema apresenta três estratos distintos: arbóreos (8 a 12 metros), arbustivo (2 a 5 metros) e herbáceo (abaixo de 2 metros). Estes sistemas adaptaram-se para se protegerem da falta d'água, predominando ali os arbustos lenhosos, os espinhos e as formas suculentas, bem típicas da região.

Ao longo de muitas décadas e em decorrência do crescimento demográfico, a Caatinga vem perdendo espaço para o homem, que a vem submetendo a uma desumana devastação. 
As siderúrgicas e olarias também são responsáveis por este processo, devido ao corte da vegetação nativa para produção de lenha e carvão vegetal.

Das espécies mais abundantes, destacam-se: a umburana, a catingueira, a palma, a aroeira, o umbu, a baraúna, a moniçoba, a macambira, o xiquexique, o cacto, a bromélia, a quixabeira, o juazeiro, a barriguda, o pau-d'arco, o umbuzeiro, dentre outras.

CAMPO CERRADO

keyO Cerrado abriga um ecossistema riquíssimo e diversificado, representando uma verdadeira dádiva da natureza. Nele, se esconde um manancial de água e nascentes que irão realimentar seus rios. Dono de um variado relevo, no cerrado predominam os planaltos com árvores de folhas grossas e troncos retorcidos, em meio a uma vegetação rala e rasteira, misturada, por vezes, com os campos limpos (gerais) ou matas isoladas, não muito altas (capões).

Inserida no cerrado, margeando rios e córregos, encontram-se as matas ciliares, também conhecido como “mata de galeria”, caracterizadas por uma vegetação exclusiva, portando raízes adaptadas a correntezas e inundações que servem de contenção e suporte à erosão. 
Nestas matas, e, mais precisamente nos campos cerrados do Parque Nacional, é freqüentea presença do murici (Byrsonima sp.) e do pau-de-tucano (Vockysia sp.), ao longo dos rios.

O solo, antigo e profundo, ácido e de baixa fertilidade, possui alto teor de ferro e alumínio.

Sem dúvida alguma, o cerrado é um dos ecossistemas que mais alterações sofreu com a ocupação humana, causadas, principalmente, pela atividade garimpeira que, ao longo de muitos anos, assoreou rios e cursos d’água, resultando em grande impacto para o meio ambiente.

A expansão da agricultura e da pecuária também contribuiu para essa devastação, ao se utilizarem, nestas atividades, indiscriminadamente, agrotóxicos e fertilizantes químicos, que contaminam o solo e a água.

Alem da beleza natural, representada por suas flores exóticas, existe ainda, no Cerrado, uma extensa variedade de espécies de plantas medicinais, até então desconhecidas da medicina tradicional.
Dentre as mais conhecidas figuram: a arnica, a jurubeba, o pau-santo, a guabiroba, o pequizeiro, o araçá, a sucupira, o pau-terra, a catuaba, o indaiá, o ipê, e muitas outras.

Na região do Parque Nacional e arredores, predomina a classificação “Campo Cerrado”, que apresenta características específicas: árvores pequenas, vegetação lenhosa entre cerrada, associada com tapete herbáceo denso, alternados com campos francamente abertos.

O Cerrado é a segunda maior formação vegetal brasileira, superada apenas pela floresta Amazônica.

FLORESTA ESTACIONAL SEMIDECIDUAL DE PLANÍCIE E FLORESTA SEMPRE-VERDE DE ALTITUDE

keyNa região do Parque Nacional e circunvizinhança há, praticamente, dois tipos básicos de florestas: estacional de planície e sempre-verde de altitude.

A primeira desenvolveu-se em áreas mais planas – Chapadões - onde o solo é mais profundo e as chuvas mais frequentes, possibilitando, desta forma, manter-se quase sempre verde, perdendo parte de suas folhas somente em períodos mais secos, daí a denominação: estacional semidecidual.
Estas florestas foram, e continuam sendo, seriamente depredadas devido à extração de madeira para fins diversos, à retirada de lenha, às pastagens e ao crescimento do plantio de café.
Localizam-se, estas áreas, ao sul da Vila de Tanquinho - a sudeste da Vila de Remanso e a leste da cidade de Lençóis - além de um trecho que acompanha o rio Santo Antônio.

A segunda desenvolveu-se no sopé das serras, nos vales fechados e íngremes - amparados por paredões -, formando as "matas de encostas" e as
"matas de neblina", que se beneficiam da umidade condensada nessas altitudes, daí porque se mantêm sempre-verdes.

Entremeando as serras, encontram-se as matas-de-grotões, freqüentemente ciliares e com vegetação específica. Essas matas, formadas por árvores de raízes resistentes e fixadoras, adaptaram-se para se proteger das enxurradas e inundações freqüentes às margens dos rios e córregos.
Por se encontrarem estas em áreas de difícil acesso, permanecem relativamente preservadas apesar dos incêndios que ocorrem, eventualmente, nos períodos mais secos - entre julho e novembro.

Esses incêndios causam grandes prejuízos à fauna e à flora da região, acrescendo-se, a isto, o assoreamento dos rios e dos córregos, favorecido pelas chuvas torrenciais, quando encontram o solo desprotegido pela mata.
Dentre as espécies típicas dessas florestas, destacam-se: o angelim (Andira sp); o angico (Piptadenia sp); o cedro (Cedrela odorata); a sapucaia (Eschweilera sp.), e muitas outras, além de um grande número de epífitas, samambaias e biófitas.

CAMPO RUPESTRE

campo rupestre
A vegetação dos Campos Rupestres é constituída, quase exclusivamente, por espécies endêmicas que se desenvolvem nas fendas das rochas e em solo arenoso, caracterizado por baixa retenção hídrica e muita luminosidade, em locais com altitude em torno de 1.000 metros.

Sendo classificada como “refúgio ecológico” (Veloso et alii, 1975) ou de “comunidade relíquia” (Clements, 1949), essas plantas de pequeno porte apresentam, quase sempre, cores vivas e variadas, bem como adaptações peculiares nos caules, bulbos, folhas e raízes, para reduzir a perda de água. Isto possibilita a essas espécies garantir a sua sobrevivência ante as queimadas e a variação diuturna de temperatura, tão comuns nessa região.

Destacam-se nessa vegetação rupestre: a orquídea Cattleya elongata, de flores majestosas, os Philodendros sp,. de folhas caprichosas e belamente recortadas, as flores “sempre-noivas” dos Paepalanthus s.p, as mudas de árvores anãs multicoloridas e policrômicas das Cambessedesia, Lavoisieria e Microlicia semelhantes a “bonsai” criados pela natureza, como também os cactos e as begônias.

MARIMBUS

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O Marimbus, ecossistema localizado entre Lençóis e Andaraí, está inserido na Área de Proteção Ambiental – APA Marimbus/Iraquara, na categoria de Unidade de Conservação de Manejo Sustentável, com objetivos básicos que asseguram o controle do uso e a ocupação do solo, estabelecidos no Plano de Manejo (veja mapa encartado).

Este ambiente surgiu na confluência dos rios Santo Antônio e Utinga, na parte leste da Serra do Sincorá.

Uma grande planície inundada, com lagoas interligadas de águas mansas, formou-se através da drenagem de vários rios, ao longo de muitos anos, resultando neste alagadiço tão peculiar.
A atividade constante de garimpo, nas serras, contribuiu diretamente para o assoreamento dos rios, gerando grande quantidade de substâncias minerais (areia, argila) e substância orgânica (lodo) que foram carreadas para os baixios, formando, assim, o Marimbus.
Presume-se, então, que estas terras eram inicialmente “brejos”, transformando-se, posteriormente, em grandes áreas inundadas.

Com características específicas, o Marimbus possui um verdadeiro nicho ecológico, constituindo-se num habitat natural para muitas espécies de peixes, como o piaú (Leporinus sp.), o curimatã (Prochilodum sp.), o jeju (Hoplerithrinus unitaeniatus), o apaiari (Astronotus ocellatus), o matrinchã (Brycon sp.) e o tucunaré (Cichla sp.), este último trazido da bacia amazônica para povoar açudes e servir de alimento às populações do Nordeste.
Devido ao seu hábito carnívoro, o tucunaré tornou-se grande predador de alevinos e de espécies nativas.

A extensa área alagada de Marimbus abriga um grande número de répteis, representados por 27 espécies (15 de serpentes, 11 de lagartos e 01 de jacaré) e, ainda, algumas espécies de mamíferos de pequeno porte, além de inúmeras aves aquáticas que encontram, neste ambiente, condições ideais para reprodução, alimentação e proteção contra predadores. 
Entre as aves aquáticas, destacam-se: patos, marrecas, garças e socós.

Inúmeras espécies ocorrem nesse ecossistema, tais como: o Pica-pau-anão (Picumnus pygmaeus), o Papa-formiga-baiano (Formicivora iheringi), o Papa-formiga-de-gravatá (Rhopornis ardesiaca) a Choca-de-asa-vermelha (Tramnophilus torquatus), a Maria-preta-de-garganta-vermelha (Knipolegus nigerrimus), e o Canário-rabudo (Embernagra longicauda).
Também são encontradas algumas espécies endêmicas (31) da Chapada Diamantina, tais como: Papa-formiga-do-sincorá (Formicivora grantsaui), Beija-flôr-de-gravata-vermelha (Augastes lumachella) e Tapaculo-da-Chapada-Diamantina (Scytalopus diamantinensis). 

A vegetação encontrada no Marimbus, típica, também, em outros ambientes alagados é predominantemente formada por variadas espécies, dentre elas: Cyperus articulatus (junco); Fimbristylis sp. (piri) Panicum sp. (capim); Eichornia sp. (aguapé); Typha dominguensis (taboa) e a Nymphaea amazonum (golfo).

(29) Formação Tombador – formações antiquíssimas (1,7 bilhões de anos) de rochas quartizíticas, originárias do remoto Rio Tombador. Estas rochas formaram-se em depressões com o acúmulo de sedimentos (carbonato, lama, areia, seixos) que foram sendo, progressivamente, depositados com o passar do tempo, devido à ação de ventos, rios, mares, geleiras e organismos vivos que interagiam, juntamente, com atividades vulcânicas.

(30) Marimbus - espelho d'água, ou alagadiço, também conhecido como "Pantanal da Chapada", palavra que significa "terra embrejada à margem dos rios".
(31) Espécie endêmica – que possui distribuição restrita a determinado tipo de ecossistema, ou seja, natural e exclusiva àquele habitat.